O Gênio que Le o mundo Capítulo 1: O Som do Mundo
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O Gênio que Le o mundo

Capítulo 1: O Som do Mundo — O Gênio que Le o mundo — Cap. 1: O Som do Mundo

**Capítulo 1: O Som do Mundo (1)**
TL/ED – Miso

[Boa noite a todos. Este é o jornal das 21 horas…….]

As notícias sempre eram transmitidas de forma calma, abordando questões políticas e sociais.

Naquele momento, a voz do repórter no local ecoava.

O lugar onde ele estava era um grande armazém, cheio de pilhas do que pareciam ser livros antigos.

[Aqui, P foi mantido em confinamento por incríveis 12 anos. Em resposta, a promotoria acusou os suspeitos de sequestro, cárcere privado e violações das leis trabalhistas…….]

---

O médico estava ao lado de um paciente adormecido, que aparentava ter cerca de 17 ou 18 anos, com uma expressão de profunda tristeza no rosto.

Seu rosto era tão pálido que parecia quase fantasmagórico.

Um detetive havia mencionado que o garoto sempre viveu com o rosto enrolado em algo como um cachecol, para que ninguém pudesse reconhecê-lo.

Seus olhos lembravam os de um cervo, e seu nariz era fino e bem definido.

Era o tipo de rosto que lembrava um clássico “garoto bonito”, mas, em vez de ser valorizado no auge da juventude, ele segurava uma foice nas mãos e arava a terra como um boi.

Além disso, era forçado a fazer todo tipo de trabalho desagradável imaginável.

‘Desgraçados. Gente assim merece a pena de morte.’

Em forte contraste com seu rosto delicado, suas mãos estavam cobertas de cortes e cicatrizes. Marcas de abuso estavam profundamente gravadas por todo o seu corpo.

Felizmente, os exames mostraram que sua condição física não era criticamente grave.

No entanto, ele tinha deficiência auditiva.

Se tivesse recebido os cuidados adequados, talvez pudesse ouvir os sons do mundo com um aparelho auditivo, mas, devido à negligência, havia perdido completamente a capacidade de ouvir.

Os sequestradores podem tê-lo escolhido justamente por perceberem sua deficiência.

Ela soltou um longo e pesado suspiro.

‘Qual é o seu nome?’

Quando perguntou seu nome pela primeira vez, ele pareceu reconhecer o movimento de seus lábios e respondeu hesitante, com uma voz lenta e estranha.

‘Filho da puta.’

Quão profundamente ele havia sido manipulado para acreditar que seu nome era “Filho da puta”?

Em todos os seus anos como médica, ela nunca havia sentido uma raiva tão intensa.

“Durma bem. Você está seguro aqui.”

Depois de verificar seu estado, ela saiu do quarto.

Mas—

Apesar dos policiais guardarem a porta, os repórteres já haviam tomado o corredor.

“Como está o estado do garoto?”

“Qual é o nome da vítima?”

“A família dele foi encontrada?”

“Ele não é órfão?”

Seus punhos se cerraram com tanta força que pareciam que iam quebrar.

Então, ela falou com uma voz fria e sem emoção:

“A desgraça dos outros deixa vocês felizes, não é?”

Virando-se para os policiais, acrescentou:

“Vou denunciar todos vocês por obstrução de serviço……”

Enquanto isso, o garoto, que parecia estar dormindo, abriu lentamente os olhos.

Suas pupilas se moveram enquanto ele analisava o ambiente mais uma vez.

‘Luz fluorescente… Monitor de paciente… Soro… Tubo… Agulha… Isso é um cobertor, grade da cama, roupa de paciente, cortina, chinelos…’

No início, ele fazia isso lentamente, mas logo sua mente começou a absorver tudo a uma velocidade incrível, como se estivesse desesperado para memorizar o ambiente.

Quando a noite chegou, ele se sentou com cautela e se aproximou da janela.

Nesse momento, a porta se abriu e a médica entrou, trazendo pessoalmente sua refeição.

Como alguém pego em flagrante, ele rapidamente se deitou novamente.

Não porque tivesse ouvido sua chegada, mas porque viu seu reflexo na janela.

A médica soltou um leve sorriso amargo ao se aproximar.

“Tudo bem. Você pode fazer o que quiser. Ninguém vai brigar com você. Agora… vamos comer?”

Sabendo que ele não saberia usar hashis, ela trouxe uma colher que também podia ser usada como garfo.

“Coma devagar. Sem pressa.”

Ele olhou para ela com hesitação, como se estivesse avaliando sua reação.

Foi apenas por um instante—

Mas aquele olhar…

Era observação.

Para ele, era instinto de sobrevivência.

– As pupilas dela dilataram.
– Os cantos dos olhos se abaixaram, formando pequenas rugas.
– Os músculos das bochechas se elevaram.
– Os cantos da boca se ergueram simetricamente.

Um sorriso genuíno, sem esforço.

‘Prova de que ela é alguém que simpatiza comigo… alguém que não é uma ameaça…’

Enquanto ela colocava cuidadosamente a colher em sua mão, ele olhou mais uma vez para ela antes de começar a comer.

Mas seu ritmo era rápido demais.

Não havia ordem—sem distinção entre arroz ou acompanhamentos. Ele enfiava tudo na boca de forma caótica.

O desespero pela sobrevivência ainda estava presente em seus movimentos.

“Devagar… você pode comer devagar. Ei, só….”

Antes que ela pudesse impedi-lo, a bandeja já estava vazia.

Como se não pudesse deixar nem um único grão de arroz, ele pegou tudo com as mãos.

A cena fez seus olhos arderem.

Ela inclinou a cabeça para trás, tentando conter as lágrimas, mas acabou enxugando os cantos dos olhos.

Uma voz carregada de emoção escapou de seus lábios:

“Que tipo de vida você teve…?”

Nesse momento, seu celular vibrou.

Após controlar a voz, ela atendeu.

“Sim, aqui é Lee Hye-yeon… O quê? Isso é verdade!? Já estou descendo, agora mesmo.”

Encerrando a ligação, Lee Hye-yeon abriu um sorriso radiante.

“Seu pai e sua mãe estão aqui. Essa noona vai trazê-los já.”

Enquanto levava a bandeja embora, ele observou sua silhueta se afastando e pensou:

Ela parecia ser uma boa pessoa.

E ele nunca mais queria voltar para aquele lugar.

---

Ao entrar no saguão, Lee Hye-yeon avistou um casal ao lado do detetive.

Eles pareciam ter por volta de quarenta e poucos anos e estavam visivelmente inquietos.

Aproximando-se, ela os cumprimentou educadamente.

“Olá.”

A mulher agarrou sua mão de repente.

Como se Lee Hye-yeon fosse sua última esperança, ela chorou, com lágrimas escorrendo enquanto implorava:

“Onde está nosso Woojin, doutora? Onde ele está?”

O marido falou em seguida:

“É verdade… que ele não pode ouvir?”

Doze anos atrás, quando registraram o desaparecimento, haviam mencionado sua deficiência auditiva como característica.

“Sim… ele tem deficiência auditiva.”

Ao ouvir isso, o homem fechou os punhos com força.

Quando Woojin desapareceu, eles o procuraram desesperadamente.

Ambos abandonaram seus empregos e dedicaram suas vidas a encontrar o filho.

Um ano, dois, três…

Mesmo após anos, não encontraram nenhuma pista.

Mas agora—

Eles o haviam encontrado.

Finalmente.

“Nem consigo imaginar o que vocês estão sentindo… mas devem estar tomados pela emoção. O nome dele é Woojin, certo?”

“Sim! Isso mesmo! Shin Woojin! Shin Woojin!”

“Sim… o Woojin está muito sensível agora. Uma reação emocional muito forte pode…”

Depois de ouvir as orientações de Lee Hye-yeon, o casal se acalmou antes de entrar no elevador.

Naquele momento—

A cabeça de Woojin virou lentamente em direção à porta.

Uma sensação estranha preenchia sua mente. Não era exatamente um som… era como se seu cérebro estivesse vibrando.

Passos.

Algo indescritível se aproximava.

Quanto mais perto chegava, mais forte ecoava em sua cabeça.

Passo. Passo. Passo.

A porta que ele encarava em silêncio finalmente se abriu.

‘Ah…’

Uma memória borrada de repente se tornou nítida.

E no instante em que seus pais viram seu rosto—

Eles ignoraram tudo o que lhes foi dito e correram para dentro do quarto.

“Woojin!”

“Woojin!”

Naquele momento, Woojin congelou.

Ele olhou para sua mãe e seu pai enquanto tampava os ouvidos com as mãos.

Um som ensurdecedor invadiu sua mente.

Eram as vozes de seus pais.

Suas pupilas se dilataram, como se absorvessem toda a luz—

Como se, mesmo que fossem separados novamente…

Ele nunca mais fosse esquecê-los.

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