O Gênio que Le o mundo
Capítulo 3: O Som do Mundo (3)
TL/ED – Miso
O pai de Woojin, que estava olhando fixamente para o celular, voltou seu olhar para Woojin.
Algo sobre hormônios, como eles afetam o cérebro…
Como ele poderia saber dessas coisas?
Surpreso, seu pai conteve as emoções antes de falar.
Foi pelo bem de Woojin.
“Nosso Woojin é realmente muito inteligente.”
“Cheira! Soluça!”
Seu pai deu um tapinha em Bomi.
Mas o choro da menina não cessou facilmente.
Ela não parava de imaginar seu oppa, trancado em um depósito escuro, lendo livros sob a luz do luar.
'Deve ter sido difícil, né? Frio, né? Assustador, né?'
Inúmeros pensamentos passaram pela sua mente.
No entanto, o oppa, que havia passado por tudo aquilo, não demonstrou qualquer expressão.
Woojin não demonstrava nem dizia nada, apenas observava sua irmã em silêncio.
As lágrimas são boas quando se está triste.
As lágrimas são um mecanismo de defesa.
Quando as lágrimas fluem, são produzidas endorfinas, que ajudam a pessoa a se distanciar, ainda que minimamente, das emoções de tristeza.
Os seres humanos vivem com 10% de consciência, enquanto os outros 90% são controlados pelo inconsciente.
O ato reflexo de Bomi de derramar lágrimas foi uma resposta inconsciente, a maneira que o cérebro encontrou para se proteger.
* * *
Um promotor sentou-se frente a frente com o criminoso que havia sequestrado Woojin e fez uma pergunta.
O criminoso aparentava ter por volta de sessenta anos.
“Há cinco anos, três membros da sua família morreram um após o outro, um por ano? Três pessoas. Sua esposa e sua mãe idosa, ambas vítimas de ataques cardíacos. Sua cunhada, vítima de ervas venenosas? Ela ingeriu algo que não devia e morreu. Isso não lhe parece estranho? Duas pessoas da sua vizinhança, que eram próximas a você, também morreram. E ambas também de ataques cardíacos.”
“Não sei nada sobre isso… Posso imaginar o que o senhor suspeita, Promotor, mas não fui eu.”
“Por que tenho a sensação de que foi você quem os matou?”
“Não fui eu. A polícia esteve envolvida, e essa história já é antiga. Se houve um culpado, talvez tenha sido aquele garoto.”
Um brilho estranho cintilou nos olhos do promotor.
“Aquele garoto?”
“Aquele desgraçado… Não, quero dizer, o garoto que eu sequestrei.”
"O que?"
O promotor, que vinha fazendo uma expressão incrédula, de repente caiu na gargalhada.
“Hahahaha! Eu pensei que você fosse só maluco, mas me enganei, né? Ah, é? Me enganei mesmo! Hahaha! Você é um verdadeiro lunático. Escuta aqui, velho! Você devia estar de joelhos implorando perdão para aquele garoto, e é isso que você está dizendo?”
“Não fui eu.”
"Você está me zoando? Tudo bem, vamos seguir sua lógica e dizer que o garoto matou sua família. Você realmente acha que o deixaria em paz? Hein!? Pelo menos diga algo que faça sentido!"
“Não fui eu.”
"Você está brincando comigo, não é? É isso aí. Você está ferrado. Isso significa que você tem muito azar. Porque quando eu me apego a algo, eu mergulho fundo. Eu sou um maluco assim mesmo. Vamos investigar isso direito, certo?"
Naquele momento.
A mãe de Woojin estava ocupada preparando a comida.
Sair para comer ainda parecia demais.
Enquanto isso, Woojin estava sentado ao lado de sua irmã, ouvindo-a explicar mais sobre as funções de um smartphone.
“Oppa, isto chama-se YouTube. Se você pesquisar o que quer assistir…”
“Mukbang.”
Assim que Woojin leu em voz alta a primeira palavra que viu, Bomi assentiu com a cabeça.
“Sim, mukbang. É uma transmissão ao vivo onde as pessoas comem. A abreviação disso é 'mukbang'.”
Bomi tocou na tela para reproduzir um vídeo.
Apareceu um YouTuber, apresentando a comida que haviam preparado antes de começarem a comer.
– Uau… Gente, isso está realmente delicioso. Super saboroso…
Woojin alternava o olhar entre o YouTuber e a comida que não reconhecia.
– Sempre que ela fala enquanto come, seus olhos frequentemente se voltam para a esquerda. (Imaginação)
– Ela engole em seco com frequência e levanta as sobrancelhas repetidamente para enfatizar suas palavras. (Afirmação superficial)
– O canto da boca dela se levanta levemente algumas vezes. (Zombaria, desprezo)
Ela limpa o nariz repetidamente com as costas da mão. (Uma reação causada pela secreção de catecolaminas)
Cada expressão facial que ela fazia era uma mentira.
E ela frequentemente, inconscientemente, mexia nos brincos e no colar.
“Ela tem um número enorme de inscritos.”
Naquele instante, os olhos de Woojin se arregalaram como se ele tivesse ficado chocado com algo.
Um aroma incrível preencheu o ar.
'Perfume?'
O perfume deveria ter um cheiro bom.
Mas aquele aroma era indescritível, tão incrivelmente bom que ele nem conseguia encontrar a palavra certa para descrevê-lo. Era assim que Woojin estava sem jeito.
Ele virou a cabeça rapidamente em direção à cozinha.
Um olhar profundo e significativo brilhou em seus jovens olhos enquanto ele reconsiderava seus pensamentos.
Era o cheiro de comida.
As refeições no hospital eram deliciosas, mas isto estava num nível completamente diferente.
“Woojin, Bomi, vamos comer.”
“Oppa, vamos comer.”
Bomi, que chegou primeiro à mesa de jantar, puxou uma cadeira para Woojin.
“Oppa, sente-se aqui.”
Sentado, Woojin olhava atentamente para a comida servida em um prato raso de borda larga.
Após organizar as imagens em sua mente, ele olhou para o pai, como se pedisse permissão.
“Woojin, o que foi? Experimente. A mamãe faz um bulgogi delicioso.”
Sua mãe pegou uma folha de alface e começou a fazer um ssam.
E então
“Woojin, diga 'ah~.' Ah…”
Quando Woojin não abriu a boca facilmente, sua mãe deu um sorriso gentil.
“Pode comer. Você pode escolher o que quiser, Woojin. Mas vamos começar com essa delícia que a mamãe fez. Vamos lá, diga 'ah~'.”
Mesmo no hospital, ele só comia quando lhe mandavam explicitamente fazê-lo.
Woojin abriu a boca e aceitou o ssam que sua mãe lhe ofereceu.
“Mastigue devagar, tá bom? Devagar?”
A boca de Woojin começou a se mover lentamente.
E então-!
Seus olhos se arregalaram subitamente em choque.
Ele jamais imaginara que tal sabor pudesse existir neste mundo.
Ele achava que a comida do hospital era a mais deliciosa.
A cada mordida, a crocância da alface e o sabor agridoce se espalhavam por sua boca.
Sua mandíbula se movia automaticamente, como se estivesse além do controle do cérebro.
Sem perceber que três pares de olhos estavam fixos nele, Woojin simplesmente continuou mastigando.
“Por quê? Você não gosta?”
“Será que o Woojin não gosta de carne bovina…?”
“Oppa, quer que eu faça um ramyeon para você? Tem um muito bom lá…”
Com dificuldade para encontrar as palavras certas para descrever aquele sabor, Woojin folheou seu dicionário mental como quem vira as páginas de um livro. Sua garganta se moveu ao engolir.
Sob os olhares atentos e ligeiramente tensos da família, Woojin finalmente falou em voz baixa.
"Espiga…"
“Hã? O que você disse?”
“Jjonmat-tang…”
“Jjonmat-tang? O que isso significa, Woojin?”
Enquanto seus pais tentavam decifrar suas palavras seriamente, Bomi sorria radiante.
“Oppa! Quer dizer que o bulgogi é jjonmat-tang!?” (TL: Jjonmat-tang ou JMT para abreviar é uma gíria que significa super delicioso ou incrivelmente delicioso)
Ele havia escolhido exatamente as mesmas palavras que o famoso YouTuber havia usado anteriormente.
“Sim… jjonmat-tang.”
O jeito como Woojin olhava para o bulgogi dava a impressão de que seus olhos ardiam de paixão.
“Jjonmat-tang, hein…”
Enquanto seus pais, confusos, tentavam decifrar o significado, Bomi explicou animadamente, fazendo-os cair na gargalhada.
“Hahaha! Isso mesmo! Jjonmat-tang! Coma bastante, meu filho! Coma tudo!”
“Preciso fazer outro Ssam para ele!”
O que antes era uma refeição comum agora estava repleto de risos.
E então, a noite caiu.
O que voce achou?
Faca login para reagir
Comentarios (0)
Faca login para comentar
EntrarNenhum comentario ainda
Seja o primeiro a comentar!